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O APELO DA NATUREZA

Estar fechado em casa mais de dois meses fez-nos olhar para ela de outra maneira, fez-nos desfrutar de horas infinitas em família que não temos memória de alguma vez ter tido, fez-nos abrir os livros de receitas empoeirados que comprámos há anos e que, no limite, serviram para experimentar 2 receitas. E (quase) de repente, a natureza chama-nos. Queremos aprender a viver com o mínimo, queremos disfrutar de mais tempo na montanha, no campo, num mundo que sempre esteve ali ao lado mas que poucas vezes lhe demos valor. E afinal, a quarentena, tornou-nos mais conscientes de nós próprios. Por isso, aumenta a vontade de calçar uns botins e ir. Ir com a família, ir com amigos ir num grupo organizado pelo campo. Só isso, ir. O prazer de ouvir os sons das aves escondidas nas árvores ou num voo em busca de comida, vai crescendo. O deleite de ver as borboletas e as abelhas saltitar pelas flores do campo, no seu dia-a-dia habitual é inexplicável. A surpresa de observar um animal selvagem que deambula pelos arbustos faz-nos pensar o quanto nos tem passado ao lado nesta nossa vida em piloto automático. Desconectar para religar ao essencial. Nós precisamos de muito pouco para ser felizes.

Por isso, não nos espantemos com a quantidade de citadinos que nos últimos anos largaram as suas confortáveis vidas, os seus abonados salários e foram habitar lugares neste Portugal quase despovoado, onde só alguns teimosamente continuam a residir. Começar do zero uma nova actividade, para a qual não estudaram mas que os faz felizes. E eis que, por vezes, quando lá chegam, a esses lugares já lá encontram jovens famílias vindas de longe do país, que seguiram o mesmo chamamento. Trocam-se ameixas por alfaces, pão por um arranjo na porta, nada de novo, na verdade.

“Menos é mais”, uma expressão que ganhou uma nova dimensão.

Precisamos mesmo de todos os pares de calças que temos no armário? Calçamos mesmo todos os pares de sapatos que comprámos nos últimos 5 anos? E os acessórios tecnológicos? Seria a nossa vida a mesma se não trocássemos de smartphone a cada 18 meses?

Felizes os conseguem encontrar um equilíbrio entre uma vida na cidade, cheia de horários e compromissos vários e uma vida com um pouco menos de tudo. Felizes os que não acumulam mas vivem o seu tempo, agora.



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